Construção do sujeito

“(...) o conhecimento repousa em todos os níveis sobre a interação entre o sujeito e os objetos, (...) mesmo quando o conhecimento toma o sujeito como objeto, há construções de interações entre o sujeito-que-conhece e o sujeito conhecido.” (Piaget, 1967b: 590, tradução dos autores)


“Há dois métodos que não devem ser seguidos. (...) o método que conduz a projetar nas estruturas ou fenômenos de ordem inferior os caracteres das estruturas ou fenômenos de ordem superior (inteligência, consciência intencional, etc); (...) ou o método que consiste em suprimir as características originais dos níveis superiores para reduzi-los de uma vez só (...) aos níveis inferiores (redução da compreensão inteligente a associações condicionadas, etc). Nos dois casos a comparação entre as funções cognoscitivas e as formas elementares de organização torna-se inoperante.” (Piaget, 1967/1973a: 51-52) 

“Conhecer não consiste, com efeito, em copiar o real, mas em agir sobre ele e transformálo” (Piaget, 1967/1973a: 15)


“O organismo adapta-se construindo materialmente novas formas para inserilas nas do universo, [a inteligência] prolonga tal criação construindo, mentalmente, as estruturas suscetíveis de aplicarem-se às do meio.” (Piaget, 1936/1975c: 15-16) 


“(...) se as funções que caracterizam os mecanismos cognoscitivos fossem exatamente as mesmas que as grandes funções do organismo em geral, isto significaria que o conhecimento não contém nenhuma função própria. Daí decorreria duas conseqüências igualmente absurdas, a saber, ou a inteligência já está presente em todos os níveis da vida orgânica, ou nada introduz de novo e não contém, assim, nenhuma razão funcional de desenvolvimento.” (Piaget, 1967/1973a: 170)


“(...) a atividade do sujeito é relativa à constituição do objeto” e que há “uma interdependência irredutível entre a experiência e a razão” (Piaget, 1936/1975c: 26).

“Se as estruturas existem e comportam mesmo, cada uma, sua auto-regulação, fazer do sujeito um centro de funcionamento não significa reduzi-lo à posição de simples teatro, como o censurávamos à teoria da Gestalt e não é voltar às estruturas sem sujeito, com as quais sonham um certo número de estruturalistas atuais? Se elas permanecessem estáticas, é evidente que seria este o caso. Porém, se por ventura se pusessem a estabelecer ligações entre si, de outro modo que por harmonia pré-estabelecida entre mônadas fechadas, então o órgão de ligação volta a ser, de direito, o sujeito.” (Piaget, 1968/1970a: 58)

Enfim, o construtivismo relacional ou dialético, por sua dupla preocupação com a totalização e a formação histórica, é naturalmente levado a fazer a síntese entre as considerações de estrutura e de gênese.” (Piaget, 1967a: 1238, tradução dos autores) .


“(...) assimilar significa, desde esse momento [em que se instaura um conjunto de relações elaboradas pela atividade do sujeito com os objetos], compreender e deduzir, e a assimilação confunde-se com a relacionação.” (Piaget, 1937/1975a: 7)


“A assimilação nunca pode ser pura, visto que, ao incorporar os novos elementos nos esquemas anteriores, a inteligência modifica incessantemente os últimos para ajustá-los aos novos dados. Mas, inversamente, as coisas nunca são conhecidas em si mesmas, porquanto esse trabalho de acomodação só é possível em função do processo inverso de assimilação.” (Piaget, 1945/1975b: 18)


 “Afirmar que a inteligência é um caso particular da adaptação biológica equivale, portanto, a supor que ela é, essencialmente, uma organização e que sua função consiste em estruturar o universo tal como o organismo estrutura o meio imediato” (Piaget, 1936/1975c: 15, grifo nosso)

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