construção do sujeito e objeto do conhecimento

“(...) o sujeito assimilador entra em reciprocidade com as coisas assimiladas: a mão que apanha, a boca que chupa ou o olho que observa, deixam de limitarse a uma atividade inconsciente de si própria; embora concentrada em si própria; passam a ser concebidas pelo sujeito como coisas entre coisas, mantendo com o universo relações de interdependência.” (Piaget, 1937/1975a: 7)

“É subjectum, isto é, emerge das profundezas de um organismo, mas não se reduz a esse organismo, pois interage com a cultura abstraindo - não só dessa cultura, mas, sobretudo do resultado dessa interação - os mecanismos de seu desenvolvimento.” (Becker, 2003: 26)

(Piaget, 1967/1973a: 16): “Perceber uma casa, dizia o neurologista v. Weiszäcker, não é ver um objeto que entra pelos olhos, mas, ao contrário, assimilar um objeto no qual se vai entrar”. 

“A inteligência não principia, pois, pelo conhecimento do eu nem pelo das coisas como tais, mas pelo da sua interação; e é orientando-se simultaneamente para os dois pólos dessa interação que a inteligência organiza o mundo, organizando a si própria.” (Piaget, 1937/1975a: 330, grifo nosso)

 “Para justificar nossa epistemologia construtivista contra o inatismo ou o empirismo, não é suficiente mostrar que todo conhecimento novo resulta de regulações, de uma equilibração portanto, pois sempre se poderá supor que mesmo o mecanismo regulador é hereditário (...), ou ainda que resulta de aprendizagens mais ou menos complexas. Procuramos, por isso, abordar o problema da produção de novidades de outro modo, centrando as questões na formação dos ‘possíveis’.” (Piaget, 1981/1985: 7)

“Podemos, como Piaget demonstrou, estudar a construção de conceitos lógicos amplamente sem levar em conta as ações que levaram a eles. Entretanto, se quisermos olhar para resultados individualmente ou culturalmente diferentes do processo de construção, não podemos divorciá-los das experiências nas quais estão baseados. A ação se torna assim um conceito de muito maior importância do que Piaget alguma vez tenha a ela atribuído.” (citado por Simão, 2002: 116)

“A importância da noção de assimilação é dupla. De um lado implica, como acabamos de ver, a noção de significação, o que é essencial, pois todo conhecimento refere-se a significações (...). Por outro lado, exprime o fato fundamental de que todo o conhecimento está ligado a uma ação (...).” (Piaget, 1967/1973a: 14-15)


“Julgar (...) é assimilar, isto é, incorporar um novo dado a um esquema anterior, num sistema de implicações já elaborado. Portanto, a assimilação racional supõe sempre, é verdade, uma organização prévia. Mas donde vem essa organização? Da própria assimilação, pois todo conceito e toda relação exigem um julgamento para se constituírem.” (Piaget, 1936/1975c: 382)
 “na experiência da criança, as situações com as quais ela se depara são engendradas pelo seu ambiente social envolvente, as coisas aparecem em contextos que lhe conferem significados particulares.” (Piaget e Garcia, 1983/1987a: 228)

“O intermediário entre os objetos e os acontecimentos, por um lado, e os instrumentos cognitivos, por outro lado, é de facto, como foi possível verificar por diversas vezes, a acção. O modo como a acção participa no processo de conhecimento, na perspectiva própria da epistemologia genética, dá a esta posição epistemológica um sentido preciso, que, ao mesmo tempo que converge para uma linha de pensamento já clássica em filosofia dialética, confere-lhe entretanto uma identidade em si própria, na medida em que a prática é analisada nas suas acções constituintes que aparecem então como factores essenciais no ponto de partida do processo cognoscente.” (Piaget e Garcia, 1983/1987a: 228) 

“(...) a interação do sujeito e do objeto é tal, dada a interdependência da assimilação e da acomodação, que se torna impossível conceber um dos termos sem o outro.” (Piaget, 1936/1975c: 388) 

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