homeschooling no Brasil

Rogers (2014) “a aprendizagem informal e formal pode ser vista num contínuo desde a aprendizagem acidental/incidental através da aprendizagem consciente, autoaprendizagem, para aprendizagem não-formal e formal” (p. 5).
Resultado de imagem para educação domiciliar

Ensino Domiciliar: vantagens e desvantagens do homeschooling  


Não há consenso se a educação domiciliar é boa ou não para as crianças ou para a sociedade. Os pais que optaram por essa modalidade de ensino dizem que as críticas são feitas baseadas no desconhecimento e preconceito. Educadores questionam a socialização e a capacidade das crianças em se integrar à sociedade

Não há consenso sobre as vantagens ou desvantagens da educação domiciliar. Os adeptos do homeschooling afirmam que, assim como uma família pode escolher uma determinada linha de ensino em uma escola, também pode optar por ensinar os filhos em casa.
A relatora dos projetos em tramitação na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, Professora Dorinha Seabra Resende, do DEM de Tocantins, acredita que o ensino pode funcionar no Brasil. Ela afirma que os resultados apresentados até agora são bons, comparados com as experiências mundiais.
Professora Dorinha Seabra Resende: "Eu que fui secretária de Educação, ou seja, trabalhei no ponto de vista extremamente institucional na organização de escolas, vejo como um espaço educativo, que parte da escolha de famílias. Eu acho que a legislação, pelo menos do ponto de vista do que está sendo proposto pro Brasil, tenta garantir, primeiro, o direito da criança de aprender; o acompanhamento, monitoramento, e intervenção, se necessário, do Estado. E o que é mais importante, não é por a escola ser boa ou ruim, ou porque ela ensina isso ou aquilo que a família não concorda. É uma opção, e até uma opção pedagógica."
Professora Dorinha considera que os alunos da educação domiciliar têm uma aprendizagem diferente, baseada no autodidatismo e na atualização constante.
Mas, qualquer um pode aderir? Os próprios defensores do homeschooling alertam que apenas pais presentes na educação podem se aventurar em assumir a educação dos filhos.
O advogado e professor Edison Prado de Andrade, que tem uma tese de doutorado sobre o ensino domiciliar, afirma que as crianças têm um talento natural para aprender. No entanto, ele alerta que a opção só é viável para pais que estejam presentes constantemente.
Edison Prado de Andrade: "Famílias que não tenham condições de fazer isso, elas não vão conseguir realizar a educação domiciliar. Isso pode vir a trazer a médio e longo prazo algum tipo de prejuízo para as crianças. Eu não acho que a questão puramente econômica é problema. E nem a questão cultural, ela é impedimento. Mas a questão do tempo disponível para estar com a criança, para ajudar a criança, para direcionar a criança, é fundamental."
O diretor jurídico da Aned, Associação Nacional de Ensino Domiciliar, Alexandre Magno Fernandes, concorda. Ele destaca o que restringe a opção pela educação domiciliar.
Alexandre Magno Fernandes: "Educação domiciliar requer uma dedicação especial das famílias. Significa que a família vai tomar posse da educação dos próprios filhos. Isso é algo que, pelo menos no início, é muito mais trabalhoso do que uma escola, porque numa escola as famílias acabam delegando, até indevidamente, toda a educação dos filhos. Então, assim, precisa dessa disponibilidade, dessa energia, e isso significa também precisar de tempo para fazer isso. E poucas famílias têm essa disposição e até mesmo essa possibilidade."
Alexandre Magno exemplificou que, nos Estados Unidos, dois milhões de jovens são educados em casa. No entanto, isso representa apenas 4% do total dos estudantes. Ele acredita no crescimento da educação domiciliar, mas que essa não é uma opção para todas as famílias.
Alguns especialistas em educação, no entanto, afirmam que a educação domiciliar requer ainda mais cuidados do que os alegados pelos adeptos do homeschooling. Para eles, a socialização que a escola proporciona é fundamental, mesmo que difícil.
O presidente do Conselho de Educação do Distrito Federal e do Sindicato das Escolas Particulares do DF, Álvaro Domingues Júnior, não acredita que retirar as crianças das escolas seja uma solução para superar os problemas nessas instituições, mesmo no caso de violência ou agressões.
Álvaro Domingues Júnior: "A questão do bullying deve ser combatida, deve ser trabalhada, já existe legislação, existe norma para isso, mas essa proteção exagerada que algumas famílias desejam pros seus filhos não condiz com que os filhos enfrentarão no mundo adulto, quer seja no ambiente profissional, quer seja no ambiente social. Jamais você deve acreditar que conseguiria criar um ambiente exclusivo de forma a se precaver de todos os problemas sociais, ou de todas as próprias idiossincrasias da sociedade, de todos os seus conflitos."
A professora e psicóloga Sasha Leal também afirma que, apesar dos pais dizerem que há socialização na educação domiciliar, em sua opinião, ela é restrita. Mesmo que as crianças frequentem outras atividades, como aulas de música ou inglês, para ela, as características da escola são únicas.
Sasha Leal: "Na escola você vai ter responsabilidades, você vai aprender a conviver com pessoas diferentes, você vai aprender a respeitar o pensamento dessa pessoa diferente, enquanto em outros ambientes você não encontra isso. Você está ali mais para uma socialização divertida, vamos dizer."
Sasha Leal acrescenta que conviver com diferenças e frustrações é necessário para o pleno desenvolvimento das crianças.
Já o presidente da Aned, Associação Nacional de Ensino Domiciliar, Ricardo Dias, diz que as pessoas criticam sem conhecer realmente os resultados do homeschooling.
Ricardo Dias diz que já participou de vários debates em que os participantes não conheciam o que é a educação domiciliar.
Ricardo Dias: "É muito estranho você debater a educação domiciliar com uma pessoa que só conhece a escola. Elas não sabem nada sobre homeschool. Não sabem, inclusive, que tem estudos em países como Estados Unidos e Canadá, por exemplo, onde já tem gerações de homeschoolers formados, que mostram excelentes resultados acadêmicos. Que mostram, inclusive, que esses adultos, que já foram homeschoolers, eles são muito mais sociáveis, eles sabem trabalhar em equipe, tem empresas nos Estados Unidos que só contratam homeschoolers, porque, digamos assim, elas sabem pensar fora da caixa."
Ricardo Dias afirma que não é contra a escola, mas a favor pela autonomia das famílias. Em sua opinião, são elas que devem decidir se colocam ou não os filhos na escola.
Afinal, educar os filhos em casa é ou não um direito dos pais? Essa resposta deverá vir através de uma decisão do STF, que deverá ser definida em breve.
Supremo julga processo contra pais que optaram por educar os filhos em casa. Acompanhe, no último capítulo da Reportagem Especial.
Reportagem - Mônica Thaty 
Edição - Mauro Ceccherini 
Produção - Daniela Rubstem
Trabalhos Técnicos - Milton Santos




    Nenhum comentário:

    Postar um comentário

    Educação Marília

    Idep

    WWW.CIDADEDEMARILIA.COM

    Ideb: Marília ficou em segundo lugar no Estado, atrás apenas de Indaiatuba

    A Rede Municipal de Ensino de Marília obteve a nota 7,2 no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), que é a maior desde q...