o desenvolvimento infantil

Acresce a isto o fato de a Modernidade ter confinado as crianças ao espaço privado, ao cuidado da família e ao apoio de instituições sociais – creches, reformatórios, asilos de menores, orfanatos – cujo impulso eugenista inicial se caracteriza exatamente por retirar da esfera pública os cidadãos mais jovens, especialmente se apresentam indicadores potenciais de desviância ou se a indigência econômica os remete para os cuidados assistenciais. (SARMENTO, 2008, p.19)


Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil: I – éticos de autonomia, da responsabilidade, da solidariedade e do respeito ao bem comum; II – políticos dos direitos e deveres da cidadania, do exercício da criticidade e do respeito à ordem democrática; III – estéticos da sensibilidade, da criatividade, da ludicidade e da diversidade de criações e de manifestações artísticas e culturais. (DCN‟s, 2010, p.16) 


Em síntese, três elementos protagonizam o desenvolvimento infantil. A cultura, o professor ou a professora e a própria criança. A cultura, como a fonte das qualidades humanas criadas ao longo da história pela atividade humana no mesmo processo em que foram criados os objetos materiais e não materiais que constituem a herança cultural da humanidade (Vygotsky, 1994). O mediador apresenta a cultura para as novas gerações e faz isso a partir do acesso que ele próprio tem a essa herança cultural, histórica e socialmente acumulada, do sentido que atribui à cultura e das concepções que orientam seu pensar e agir, em especial, nesse caso, o conceito de criança. A criança é o terceiro elemento ativo que condiciona essa relação dialética que resulta na humanização (MELO, 2010, p. 335)

[...] antes de a criança pegar no lápis para registrar a linguagem escrita sistematizada, por meio do corpo, ela escreve e lê o mundo que a circunda em suas atividades não-gráficas e gráficas. Dessa maneira, uma visão global de seu movimento seria mais profícua para o desenvolvimento da criança: o corpo como expressão subjetiva. Esse princípio está na direção contrária da ideia de preparação de uma conduta, que se estrutura a partir do treino e da repetição de movimentos (COSTA, 2012, p. 102).

Tal constatação nos leva a refletir sobre a espontaneidade do trabalho pedagógico junto à criança pequena preconizada pela Pedagogia da Infância. Essa perspectiva teórica não estaria transpondo a espontaneidade que de fato caracteriza o pensamento e a atividade da criança pequena para o trabalho do professor? Não estaria, dessa forma, naturalizando a espontaneidade da criança, deixando de reconhecer a tarefa precípua do trabalho educativo de criar condições para a superação dessa condição? (PASQUALINI, 2006, p.192)

Com o relato da trajetória e da constituição dos sujeitos como leitores e escritores e a inserção das crianças desde a pré-escola no universo da escrita, pretendemos mostrar a possibilidade de esse desenvolvimento na infância acontecer pelas formas de atividades produtivas, entre as quais destacamos o desenho. O desenho medeia o processo da escrita como sistema cultural de alta complexidade para a criança. Vimos que as crianças recebem a influência da mediação dos signos: imagens figurativas, representação simbólica apropriada nas vivências com o signo e com os gêneros orais e escritos. A mediação à escrita é favorecida pelo Outro- a professora, amigos, pais, enfim, pelas relações culturais e sociais, sem as quais ficaria comprometida, ou pouco eficaz (GOBBO, 2011, p. 166).

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