RACISMO E MEDIDAS AFIRMATIVAS


Embora seja possível afirmar que no governo Fernando Henrique Cardoso já havia iniciativas federais voltadas à população negra, a análise dos documentos do período revela que a estratégia discursiva e a política deste governo foi promover o reconhecimento sem investimentos no aspecto redistributivo, embora a desigualdade racial fosse a principal justificativa para as políticas de valorização da população negra, aliás, expressão fartamente encontrada nos documentos oficiais deste período (Lima, 2011, grifo nosso).


lei federal n. 12.711/2012: Art. 5º Em cada instituição federal de ensino superior, as vagas de que trata o art. 1º desta Lei serão preenchidas, por curso e turno, por autodeclarados pretos, pardos e indígenas, em proporção no mínimo igual à de pretos, pardos e indígenas na população da unidade da Federação onde está instalada a instituição, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)


Durante minha vida, eu me dediquei à luta do povo sul-africano. Eu lutei contra a dominação branca e eu lutei contra a dominação negra. Eu defendi o ideal de uma sociedade livre e democrática na qual todos vivessem em harmonia e com chances iguais. (Guiloineau, 2009:92)


No plano externo, o protesto negro contemporâneo se inspirou, de um lado, na luta a favor dos direitos civis dos negros estadunidenses, onde se projetaram lideranças como Martin Luther King, Malcon X e organizações negras marxistas, como os Panteras Negras e, de outro, movimentos de libertação dos países africanos (...) Tais influências externas contribuíram para o Movimento Negro Unificado ter assumido um discurso radicalizado contra a discriminação racial.  
No plano interno, o embrião do Movimento Negro Unificado foi a organização marxista, de orientação trotskista, Convergência Socialista. (Domingues, 2006:112)


Sobre Lula e as universidades: a maioria dos programas (77%) foram instituídos por decisões internas às universidades, geralmente por seus conselhos universitários, enquanto as demais decisões (23%) foram resultado de leis estaduais. Isso mostra que o empurrão em direção às políticas de admissão mais inclusivas não podem ser creditado apenas à iniciativa governamental (Júnior, Dalfon & Campos apud Gemaa, 2011).


Nenhum comentário:

Postar um comentário