A agricultura

 1. A propriedade familiar camponesa como a unidade básica de uma organização social multidimensional. A família, e quase só a família, contribui no trabalho da propriedade. A propriedade, e quase só a propriedade, atende às necessidades de consumo das famílias e o pagamento de suas dívidas para com o detentor do poder político e econômico. [...]. 2. A agricultura como o principal meio de subsistência para atender à maioria das necessidades de consumo. A agricultura tradicional inclui uma combinação específica de tarefas em um nível relativamente baixo de especialização e o treinamento profissional dentro da família. A produção de alimentos torna relativamente autônoma a propriedade familiar. [...]. 3. Uma cultura tradicional específica relacionada com o estilo de vida das pequenas comunidades. [...]. Pelo menos alguns desses padrões culturais estão relacionados com as características de uma comunidade pequena, onde pode aceitar-se a vida em tal comunidade como um aspecto adicional que define o campesinato. 4. A posição de subordinação e a dominação do campesinato por forasteiros. Via de regra, os camponeses têm permanecido a margem das fontes sociais do poder. Sua sujeição política se liga com a subordinação cultural e com sua exploração econômica através do imposto, emprego, renda, taxas de juros e termos de intercâmbio desfavoráveis ao camponês (SHANIN, 1979, p. 11-12, grifo do autor, tradução nossa).



"[...] os problemas agrários criados pelo capitalismo podem ser solucionados por ele próprio, não existindo uma questão agrária na perspectiva do outro paradigma" (FELÍCIO, 2011, p. 5)


A questão agrária nasceu da contradição estrutural do capitalismo que produz simultaneamente a concentração da riqueza e a expansão da pobreza e da miséria. Essa desigualdade é resultado de um conjunto de fatores políticos e econômicos. Ela é produzida pela diferenciação econômica dos agricultores, predominantemente do campesinato, por meio da sujeição da renda da terra ao capital. Nessa diferenciação, prevalece a sujeição e a resistência do campesinato à lógica do capital (FERNANDES, 2008, p. 176).


 Felício (2011, p. 6) “Os elementos estruturantes da questão agrária se constituem pelo campesinato e pelo capital”.


“Por essa razão, a questão agrária gera continuamente conflitualidade, porque é movimento de destruição e recriação de relações sociais: […] de monopólio do território camponês pelo capital” (FERNANDES, 2008, p. 177).



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