A exclusão escolar (MANTOAN, 2001, p. 9).

[...] A exclusão escolar manifesta-se das mais diversas e perversas maneiras, mas, no fundo, que está em jogo é a incompetência do aluno que "paga o mico" de um jogo desigual, de cartas mascadas pelo autoritarismo e pelo poder arcaico do saber escolar (MANTOAN, 2001, p. 9).



No cenário do mundo Moderno, a exclusão social se constitui como a formação ideológica dominante, onde o sujeito com deficiência é o principal personagem, já que o modo de se pensar o mundo e as relações entre os seres humanos são calcados na dicotomia do certo  e errado, bom e ruim, normal e anormal. O isolamento constitui uma prática bastante utilizada no tratamento do desvio da normalidade (MARQUES, 2003, p. 225).




Fase 1 - Exclusão: anterior ao século XX, os deficientes eram considerados indignos de educação escolar, permaneciam confinados ao lar ou em instituições como asilos, sanatórios etc. Fase 2 – Segregação: já no século XX, na década de 1950, começasse a considerar a necessidade de educação para os deficientes, porém com "atendimento especial", "material especial", "professor especial". Nesse período, surgem as escolas especiais e, mais tarde, as classes especiais dentro de escolas comuns. O sistema educacional brasileiro cria dois subsistemas (Educação comum e Educação especial), aparentemente com os mesmos objetivos, ou seja, "formar o cidadão para a vida em sociedade e no trabalho". Para esse momento, pode-se dizer que as escolas especiais se constituíram como instituições revolucionárias, pois ofereciam ensino para quem sequer o tinha como direito. Fase 3 – Integração: aproximadamente na década de 1970, inicia uma mudança filosófica em que as escolas regulares passam a "aceitar" crianças ou adolescentes deficientes na classe comum, desde que conseguissem se adaptar à escola comum. Ou seja, o objetivo consiste no fato de que o aluno é quem deve se adaptar à escola. Fase 4 – Inclusão: A partir da segunda metade da década de 1980, tem-se início o processo de discussão que entende que é a escola que deve adaptar-se para incluir o aluno. Tais discussões pressupõem: (a) valorização das diferenças individuais, como possibilidade de crescimento para todas as pessoas; (b) direito de pertencer e de não ficar de fora; (c) igual valor para as minorias (SCHLUNZEN, 2011, p.150)


Não se pode reformar a instituição sem uma prévia reforma das mentes, mas não se pode reformar as mentes, sem uma prévia reforma das instituições (MORIN, 2003, p.99).


[...] em nome da ciência, o que bem lhe conviesse a respeito do outro, principalmente daquele colocado na condição de desviante do padrão absoluto de normalidade. Foi neste contexto que se formulou e se impôs um discurso de incapacidade produtiva e de inferioridade existencial do deficiente (MARQUES, 2003, p. 225).



Quando se abstrai a diferença para se chegar a um sujeito universal, a inclusão perde o seu sentido. Conceber e tratar as pessoas igualmente esconde suas especificidades. Porém, enfatizar suas diferenças pode excluí-las do mesmo modo! Eis aí a armadilha da inclusão (MANTOAN, 2011, p.103).


 O princípio fundamental da escola inclusiva consiste em que todas as pessoas devem aprender juntos, onde quer que isso seja possível, não importam quais dificuldades ou diferenças elas podem ter. Escolas inclusivas precisam reconhecer e responder às necessidades diversificadas de seus alunos, acomodando os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando educação de qualidade para todos mediante currículos apropriados, mudanças organizacionais, estratégias de ensino, uso de recursos e parcerias com suas comunidades (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, 1994, p.11-12).

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