A educação bilíngue para o surdo

  Mantoan (2006c, p.56) ressalta a “necessidade da formação de grupos de estudos nas escolas para a discussão e compreensão dos problemas educacionais, à luz do conhecimento científico e, se possível de modo interdisciplinar.”


Os aspectos particulares da existência social humana refletem-se na cognição humana: um indivíduo tem a capacidade de expressar e compartilhar com os outros membros de seu grupo social o entendimento que ele tem da experiência comum ao grupo. (VYGOTSKY, 2003, p.177)


O surdo é um ser humano histórico, afetivo, social, cultural, ético e estético que atende a um modelo educacional comum, é potencialmente reflexivo e construtor de conhecimentos, apresenta possibilidades de aprendizagem, envolvimento político, econômico cujas habilidades se expressam em todas as manifestações artísticas e culturais, capaz de atender a diversas competências profissionais. (FALCÃO, 2007, p.64)


 Falcão (2007, p. 34), A lógica educacional das pessoas surdas tem sido apresentada no modelo behaviorista cuja repetição e treino eliminam a construção cognitiva do aluno e esta filosofia educacional não corresponde à contemporaneidade, embora ambos, tanto os alunos surdos como os ouvintes, [...], estejam sujeitos a essa lógica aristocrática.


Assim como a língua de sinais, a língua escrita é parte da linguagem, e como tal, o uso desta língua não é fruto de uma decisão individual, e sim é o resultado de uma determinação social, dada em uma comunidade. (GIORDANI, 2006, p.83)


Lima (2004, p. 37): A educação bilíngue para o surdo despontou no cenário educacional como uma abordagem que visa não somente modificar a escolarização para surdos que era norteada pelo visível fracasso escolar, mas também para ir de encontro às práticas pedagógicas assumidas em abordagens educacionais anteriores que permearam (e de certa forma ainda permeiam) a educação de surdos (oralismo e comunicação total). Dito de outro modo, como uma “salvadora da pátria” que seja capaz de minorar as dificuldades escolares vivenciadas pelos alunos surdos, sobretudo, na aquisição da língua portuguesa, em sala de aula.



Goldfeld (2002, p.31), A oralização passou a ser o objetivo principal da educação das crianças surdas, e, para que elas pudessem dominar a língua oral, passavam a maior parte de seu tempo recebendo treinamento oral e se dedicando a este aprendizado. O ensino das disciplinas escolares como história, geografia e matemática foram relegados a segundo plano. Com isso, houve uma queda no nível de escolarização dos surdos. 


Silva e Nembri (2007, p.25)  “(A) educação bilíngue parte do pressuposto de que a língua de sinais é a língua natural dos surdos, que, mesmo sem ouvir, são capazes de desenvolver uma língua espaço-visual.”

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