Escola e inclusão de jovens e adultos

“[...] nas práticas sociais o principal ambiente dos seus aprendizados. Trata-se de considerar, centralmente, em um projeto educativo, que as pessoas se formam pela inserção em um determinado meio, sua materialidade, atualidade, cultura, natureza e sociedade [...]”. (CALDART, 2011, p.26). 


Para dar conta das tarefas delegadas pelo MST são necessários conhecimentos, habilidades, mas não só; às vezes o que mais entra em jogo é a postura diante da realidade, as convicções, os valores, os comportamentos, a mística, o equilíbrio pessoal. Por isso também é que, para o Movimento, estudo (no sentido de formação) não pode ser compreendido apenas como produção do conhecimento, embora até possa considerar que este seja um de seus principais componentes... Essa é uma reflexão que depois o MST buscará levar à escola formal, problematizando concepções pedagógicas que reduzem o papel da escola à socialização do conhecimento ou, ainda pior, ao repasse de conteúdos (CALDART, 2004, p. 217).  



A educação de jovens e adultos tem se constituído como um campo de práticas e reflexão que ultrapassa os limites da mera escolarização. Isto porque abarca processos formativos diversos, que visam desde a qualificação profissional, o desenvolvimento comunitário, a formação política, até inúmeras questões culturais que não se restringe ao espaço escolar. (ARROYO, 2001, p. 07)


O movimento da legislação brasileira procurou, até o momento das discussões iniciais sobre uma nova LDB, refletir a preocupação com este universo de exclusão social. Foi no governo Collor que o ponto de inflexão começou a se delinear. Ao tomar posse, em meio à reforma administrativa, fechou a fundação Educar, encaixotando sua biblioteca e colocando seu pessoal técnico à disposição de outros setores. Criou o PNAC, Programa Nacional de Alfabetização e Cidadania, que acabou morrendo antes de seu nascimento, sem apoio financeiro e político (HADDAD, 2000, p. 114). 

“Deixem os velhinhos morrerem em paz! Deixem os velhinhos morrerem em paz”! Assim se pronunciou Darcy Ribeiro, frente às câmaras de vídeos e os olhares atônitos de cerca de 1.500 pessoas, educadores, professores, responsáveis por políticas públicas no encerramento do Congresso Brasileiro a organizado pelo GETA – Grupo de Estudos e Trabalhos em Alfabetização em 1990 por ocasião das mobilizações que marcaram o Ano Internacional de Alfabetização. (HADDAD, 2009, p. 130). 


[...] para ser cidadão, isto é, para participar ativamente da vida da cidade, do mesmo modo que para ser trabalhador produtivo, é necessário o ingresso na cultura letrada. E sendo essa um processo formalizado, sistemático, só pode ser atingido através de um processo educativo também sistemático. A escola é a instituição que propicia de forma sistemática o acesso à cultura letrada reclamada pelos membros da sociedade moderna. (SAVIANI, 2004, p. 03).


A educação de pessoas jovens e adultas veio sendo reconhecida como um direito desde os anos 30, ganhando relevância com as campanhas de alfabetização das décadas de 40 e 50, com os movimentos de cultura popular dos anos 60, com o Mobral e o ensino supletivo dos governos militares e a Fundação Educar da Nova República. (HADDAD, 2000, p. 111-2).  


[...] através do Decreto n. 7.247, de 19 de abril de 1879, que reformou o ensino primário, secundário e superior no município da Corte, documento legal que ficou conhecido como Reforma Leôncio de Carvalho. Trata-se de um longo texto composto de 174 itens agrupados em 29 artigos, eventualmente desdobrados em parágrafos e incisos, porém não ordenados em títulos ou capítulos [...] levou longe a inclusão de dispositivos referentes ao funcionamento da educação nas províncias, a subvenção a escolas particulares; a contratação de professores particulares para ministrar os rudimentos do ensino primário; a criação de cursos de alfabetização de adultos [...] (SAVIANI, 2010, PP. 136 e 138). 

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