Sabatistas comemoram provas aos domingos e fim de longa espera

Sabatistas comemoram provas aos domingos e fim de longa espera


    Das principais mudanças na edição deste ano do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a troca do dia da prova do sábado para outro domingo tem sido comemorada por um grupo de candidatos em particular. Trata-se dos sabatistas, religiosos que guardam o sábado, a exemplo dos judeus e dos adventistas.
    Até o ano passado, os sabatistas precisavam entrar junto com os demais participantes: chegavam ao local de prova igualmente às 13h, no horário de Brasília, mas ficavam isolados em uma sala até as 19h, quando, somente então, começavam o exame. Devido ao fuso horário, o tempo de espera no Acre, por exemplo, chegava a nove horas.
    Estudante do Colégio Adventista de Brasília, Gabriel Holsback, 18 anos, fará o Enem este ano e se diz aliviado com a mudança. O jovem prestou o Programa de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade de Brasília (UnB), no qual teve que esperar toda a tarde até começar a prova, e comenta a respeito do cansaço que sentiu. “Foram sete horas de espera e foi minha primeira prova em um sábado. Isso prejudica, porque você já está com o emocional abalado, nervoso porque vai fazer uma prova, e fica esperando acontecer. Quando começa, ainda tem que ler muito, porque é uma prova extensa. Isso cansa demais e, às vezes, você chega no final da prova e ‘chuta’, porque não está mais aguentando, só quer acabar logo e ir para casa.”
    Gabriel, que pretende cursar engenharia aeroespacial, diz que pensar em fazer o Enem em um sábado o deixava apreensivo, assim como seus outros colegas sabatistas. Quando soube da troca para dois domingos, comemorou. “Essa mudança foi perfeita. Eu pensava muito nisso, em como ia ser bom se chegasse na sala e fizesse logo a prova”, disse, destacando que a alteração permite aos sabatistas concorrerem em igualdade com os demais candidatos.
    O ministro da Educação, Mendonça Filho, explicou que, antes da consulta pública para mudanças no Enem, havia solicitado a membros de religiões sabatistas que dessem opinião sobre as datas. Segundo ele, era preciso acabar com o constrangimento a muitos candidatos que compareciam ao exame no mesmo horário que os demais, mas, pelos princípios observados em sua orientação religiosa, tinham de ficar confinados em outras salas até o pôr do sol.
    “Foi um processo de transformação que exigiu um suporte técnico adequado e o diálogo com a sociedade, a partir da consulta pública. O resultado foi o que esperávamos, um marco histórico que não pode ser entendido como um favor do governo, mas como a ação de homens com compromisso verdadeiro com um Brasil plural e pleno no respeito a todos”, disse o ministro.
    “Sempre houve promessas; houve propostas de fazer uma prova alternativa após o pôr do sol, mas não deu resultado. O ministro olhou com carinho para nossa comunidade. Todos recebemos essa notícia muito bem”, afirmou o diretor de Educação Básica da Igreja Adventista na América do Sul, pastor Ivan Goes, ao lembrar que diversos pedidos de alteração foram feitos em anos anteriores.
    As religiões que guardam o sábado têm por dogma não realizar atividades, exceto assistenciais e religiosas, desde o pôr do sol da sexta-feira até o pôr do sol do sábado. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010 mostram que os adventistas somam 1,5 milhão de membros, dos quais predominam mulheres.
    Assessoria de Comunicação Social

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