Pais de alunos com deficiência que estudam na rede municipal de Santos estão reclamando da falta de mediadores nas escolas.


Situação piorou, diz Gretchen: às vezes, tem de levar o filho para casa  (Foto: Carlos Nogueira/AT)

FONTE: A TRIBUNA 

Pais de alunos com deficiência que estudam na rede municipal de Santos estão reclamando da falta de mediadores nas escolas. Esses profissionais são responsáveis pelo projeto de inclusão na rede e têm o compromisso de auxiliar os estudantes nas aulas e adaptar conteúdos dados em sala de aula. 
“Meu filho tem 8 anos, é autista e estuda na UME (Unidade Municipal de Educação) Olavo Bilac. Este ano, ele começou com uma mediadora que faltava muito. E, toda vez que ela faltava, a escola me ligava para informar que era para eu buscar meu filho, que ele precisava voltar para casa. Mas de lá para cá, a situação piorou”, conta a mãe, Gretchen Stipp.
Ana Paula e Eduardo Silva, pais de uma aluna da UME Emília Maria Reis, também se queixam. Eles explicam que a menina tem hidrocefalia e não está indo à escola por falta de mediadores. “Minha filha precisa do acompanhamento constante de um mediador, e desde a volta das férias isso não acontece”, afirma Eduardo.
Ele conta que cada dia é uma surpresa, seja ao chegar na escola e avisarem que a menina não terá aula ou quando a escola liga avisando um horário diferente para ela entrar, por terem conseguido um mediador.
“Ano passado, eu cheguei a ficar um mês na sala de aula com a minha filha porque não tinha mediador e ela me pedia para ir à escola. Ela entende as coisas. Agora, que inclusão é essa? Que forma diferenciada existe na hora de ensinar? E não é culpa do professor. Quando ele consegue uma atribuição, uma aula, é lógico que é isso que ele vai escolher. O que é preciso é um programa que pense, de fato na inclusão”, desabafa Eduardo.
Luana Gonçalves dos Santos vive o mesmo drama. O filho de 4 anos tem autismo e, apesar de a mãe reconhecer o esforço da equipe escolar da UME José da Costa Barbosa, alega que o projeto de inclusão não está sendo efetivo. “Meu filho foi recebido de braços abertos pela escola. No entanto, a mediadora precisa se revezar entre as salas e as crianças, sendo um tratamento paliativo e ineficaz. Não pela falta de empenho, mas pela falta de condições, já que, por direito, a criança precisa de mediadora constantemente”, declara.
Prefeitura
A Secretaria de Educação (Seduc) informa que essas UMEs estão contempladas pela Portaria 100, de 2016, que trata dos mediadores de inclusão escolar.
O documento determina que cada profissional deverá atender até três classes, de acordo com horário organizado pela UME.
“Existem alguns casos específicos que necessitam de mediador exclusivo, e quando estes mediadores desistem da função, é necessário substituí-los. Por isso, a atribuição para mediadores está sempre aberta. Hoje, na rede, há 411 mediadores, número suficiente para atender a demanda”, menciona a secretaria, em nota para A Tribuna.
Os mediadores, ainda de acordo com a Seduc, são todos professores da rede e assumem o projeto mediador de inclusão escolar no contraturno quando optam por isso.
A nota ainda destaca que “o projeto visa a facilitar o acesso e a permanência dos alunos com deficiência no ensino regular, por meio de intermediação entre os alunos e as situações vivenciadas nos espaços escolares”.

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