Depois de anunciar o fechamento de duas escolas públicas em Santos, o Governo do Estado vai encerrar as atividades de outras duas unidades em Guarujá.

Estado fecha duas escolas públicas em Guarujá
Anúncio foi feito após Governo fechar duas unidades em Santos. Medida será adotada em 2018
EDUARDO BRANDÃO
06/10/2017 - 07:50 - Atualizado em 06/10/2017 - 07:59

Depois de anunciar o fechamento de duas escolas públicas em Santos, o Governo do Estado vai encerrar as atividades de outras duas unidades em Guarujá. As alegações são as mesmas que motivaram as desativações santistas: queda de alunos matriculados e economia para os cofres públicos.
De acordo com a Diretoria Regional de Ensino, as escolas Jardim Primavera II, que fica no bairro de mesmo nome, e Renê Rodrigues de Moraes, no Jardim Helena Maria, não vão mais receber alunos da rede estadual para o próximo ano letivo. O órgão alega que as ambas funcionam apenas no período da manhã e com número reduzido de estudantes. 
Desta forma, as unidades de Guarujá se somam às escolas santistas Cleóbulo Amazonas Duarte, na Encruzilhada, e Braz Cubas, no Marapé, que partir de 2018 não terão mais aulas. Todos os matriculados nessas unidades serão realocados em outras escolas públicas.
“No caso do colégio Renê (Rodrigues de Moraes), são 14 salas que estão sendo usados por apenas 160 alunos no período da manhã. Nada à tarde e nada à noite”, explica o dirigente da regional de Ensino de Santos, João Bosco Guimarães. 
Segundo ele, os estudantes dessa unidade serão transferidos no próximo ano para a escola estadual Prefeito Domingos de Souza, no Jardim Santa Maria, onde há cerca de 1,7 mil alunos do último ano do Ensino Fundamental e todo o Médio. 
Guimarães cita que os planos para o imóvel do Renê são repassá-lo à Prefeitura e abrigar uma Escola Técnica Estadual (Etec). “Por que vai construir um novo imóvel se existe um prédio com estrutura?”, indaga. Em nota, a Secretaria de Educação de Guarujá informa ter enviado pedido de utilização do prédio e ainda aguarda aval do governo paulista.
Já o colégio Jardim Primavera tem cerca de 470 matriculados no primeiro ciclo de ensino. Guimarães sustenta que esses estudantes serão transferidos para a “escola vizinha de muro”, a Tancredo Neves.
“Os alunos vão continuar a vida acadêmica deles em escolas que apresentam ociosidade, em menos escala, mas também com espaço. Não haverá superlotação em nenhuma sala”. O espaço vai abrigar um polo do Centro Estadual de Educação de Jovens e Adultos (Ceeja).
Desmonte
O fechamento das unidades em Guarujá provocou protestos, na manhã de desta quinta-feira (5), de docentes do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). A presidente estadual da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha classificou a medida como um “desmonte da rede pública de ensino”. 
Ela teme que o fechamento das quatro escolas na região seja uma forma maquiada de retomada da reorganização escolar, ação anunciada em 2015 pelo Palácio dos Bandeirantes.
“A política da Secretaria Estadual de Educação é fechar o horário noturno, salas, ir diminuindo a quantidade de aluno para poder justificar o fim das atividades das escolas. Isso é um crime contra a sociedade”, disse. Ela não descarta uma série de mobilizações para evitar que as unidades sejam transferidas.
Maria Izabel lembra que as quatro escolas faziam parte da lista de outras 90 unidades que a Secretaria Estadual de Educação pretendia fechar, há dois anos. Após ocupação de alunos e professores nesses locais, a Justiça barrou o fechamento. A Defensoria Pública entendeu que a atitude era “precipitada e por não atender ao interesse dos alunos”. 
Outro lado
Guimarães sustenta que o fechamento não é parte de um plano de reestruturação da rede. Ele argumenta que a manutenção das escolas com baixo número de alunos seria “má administração” do dinheiro público. “Essas escolas começaram a morrer aos poucos. A situação que levou a reorganização à época é a mesma de hoje”.
Audiência
A vereadora de Santos Telma de Souza (PT) vai apresentar o pedido de uma audiência pública com técnicos da Secretaria Estadual da Educação para evitar o fechamento das unidades escolares. A parlamentar, que foi professora da rede pública, critica a visão da pasta em eliminar postos de ensino.


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