O universo infantil (FARIA, A. 1995: p.42).

O universo infantil ainda continua muito centrado no eu, mais a serviço das suas necessidades subjetivas e afetivas do que da verdade. O egocentrismo se manifesta em vários planos: intelectual, social, linguístico, moral etc. (FARIA, A. 1995: p.42).


São recursos que a criança usa para obter e para se ajustar a um mundo incompreendido ou temido. Quando brinca de “faz-de-conta” sabe que sua conduta não é racional para os outros, mas não está preocupada em convencê-los (FARIA, A. 1995: p.100).


Em realidade, por um mecanismo em aparência paradoxal, cujo análogo a respeito do egocentrismo do pensamento da criança mais velha descrevemos, no momento em que o indivíduo está mais centrado em si mesmo é que ele menos se conhece; e, à medida que ele se descobre, é que se situa em um universo e o constitui por essa mesma razão. Em outras palavras, egocentrismo significa, ao mesmo tempo ausência de consciência de si e ausência de objetividade, enquanto a tomada de posse do objeto como tal caminha lado a lado com a tomada de consciência de si (PIAGET, J. 1996: p.20).