criança e programação da televisão

Na turminha da escola ou das brincadeiras, no grupo do condomínio ou do clube não são necessários muitos detalhes do episódio visto na TV. Às vezes, basta um nome, o do super-herói ou do desenho animado, para que a comunicação, baseada na cumplicidade da audiência se estabeleça. Mais do que um grupo, essas crianças formam uma tribo, no sentido que Maf-fesoli atribui ao termo, e espalha-se a proxemia, que é uma ocupação simbólica de um tempo-espaço comum e efêmero (PACHECO, E. (org.). 2000: p.78).

A oposição entretenimento e educação é enfocada a partir da conceituação inicial de televisão educativa como negação da televisão comercial. Manifesta-se na produção de programas educacionais pela adoção de formas racionais e analíticas eficazes do ponto de vista didático, em detrimento da perspectiva de utilizar recursos dramáticos popularizados pelo cinema e pela televisão comercial. Relaciona-se à resistência da educação às emoções. Traduz-se no modelo clássico de programa pedagógico identificado como extensão escolar, que entrou em conflito com as expectativas, do receptor, de divertimento na televisão (CARNEIRO, V. 1999: p.17).




O entretenimento passa a conquistar o espaço antes reservado à informação. (...) Trata-se da tendência ditada pelo mercado, que tem como critério a medição da audiência . Para aumentar os índices de audiência elevam-se os valores emotivos, espetaculares (CARNEIRO, V. 1999: p.25)


Esse processo identificatório tem nas crianças os seus melhores agentes. De fato, as observações sociopsicológicas têm localizado, na infância, uma facilidade toda especial para imitar os comportamentos e as atitudes vistos no vídeo, como se a representação televisiva da presença física desencadeasse um processo equivalente ao efeito da presença real (SODRÉ, 2000: p.51).


“as mensagens televisivas só são bem aceitas se apresentadas de forma dramática e se tocam idéias e valores para os quais a criança está emocionalmente preparada” (HIMMELVEIT, H. apud SODRÉ, M. 1999: p.80).


Das bases educacionais fundadas por Rousseau às formas de dominação constatadas por Foucault, percebemos que o sistema educacional brasileiro parece ter cedido às diversas formas de mediação tecnológicas à função de educar uma grande massa de indivíduos, com intenção de atingir não apenas as metas educacionais estabelecidas pelo Joint Comiter (1993), como também os objetivos propostos nas linhas e entrelinhas dos acordos firmados com o Fundo Monetário Internacional – FMI (FERRAZ, E. 2001: p.65).