Castelo Rá-Tim-Bum e a educação


...o Castelo Rá-Tim-Bum mostra que televisão não é só entretenimento. Educação e entretenimento conseguem se articular. O Castelo articula padrões comerciais, matrizes culturais, formatos industriais, com finalidades educativas. Revela novo gênero educativo, nova linguagem, novas referências. O receptor pode reconhecer no Castelo não uma escola, mas uma morada (CARNEIRO, V. 1999: p.219).



(No Castelo) Não existe contraposição entre mundo real e mundo fantástico. Como nos contos de fadas, a fantasia está a serviço do mundo real. Tem um objetivo voltado para o mundo real. As emoções são do mundo real. Os conhecimentos são do mundo real. Trata-se de outro esquema de articulação (CARNEIRO, V. 1999: p.218)


Simplificando, pode-se dizer: o programa funciona quando envolve. Ao mesmo tempo, (as entrevistas) confirmam que aprender não se limita ao aprender conceitual que se valoriza na escola. Há um aprender para enfrentar o mundo. Essas duas aprendizagens não se excluem. (...) A interlocução com as crianças sugere que o Castelo Rá-Tim-Bum inscreve parcelas de aprendizagem conceitual em situações de envolvimento afetivo que têm condições de interagir com as necessidades de informações sobre o mundo dos espectadores infantis. Essa interação da ordem afetiva não aparece como mera tática para inculcação de informação conceitual. Integra-se a ela para propor aprendizagem nos dois níveis: o aprender de conceitos e o aprender do estar-no-mundo, enfrentar seus problemas (CARNEIRO, V. 1999: p.194-195).


A incorporação de elementos e estruturas de sucesso funcionou como elemento de atração e conquista de público, diminuindo custos e riscos de erros inerentes à criação de uma nova linguagem. Garantiu a manutenção da empatia com o público. Trouxe segurança. Permitiu a superação dos conflitos conhecido versus desconhecido, familiar versus estranho (CARNEIRO, V. 1999: p.204).


O Castelo alarga a concepção de entretenimento para além das finalidades mercantis imediatas, ao incluir o educativo como finalidade. O compromisso educativo é confirmado pelo respeito às necessidades específicas de desenvolvimento emocional e cognitivo do segmento infanto-juvenil (CARNEIRO, V. 1999: p.205).