(MAGNANI, 1995, p. 12)

Enquanto obra de linguagem eminentemente qualitativa, que exalta a diferença e a interação do que é diverso, e dado seu caráter de gratuidade e permanência no tempo, o texto literário demanda e propicia um trabalho específico de leitura, ao mesmo tempo como fruição estética, que não se deixa controlar, instrumentalizar, etapizar ou seriar, e como busca de conhecimento que não se restringe à organização, classificação e computação de dados e informações, mas que se apresenta como multiplicidade, contrapondo-se ao consumo e destruição dos objetos culturais e instaurando outras relações dos sujeitos entre si e com seu passado, presente e futuro, com a cultura e a língua, com o mundo público e o privado. Nesse corpus, destacam-se os “clássicos”, aqueles livros que, segundo Calvino (1993), “exercem uma influência particular quando se impõem como inesquecíveis” (p. 10); e “quanto mais pensamos conhecer por ouvir dizer, quando são lidos de fato mais se revelam novos, inesperados, inéditos” (p. 12) porque propiciam a grata surpresa da descoberta de  algo não necessariamente desconhecido, senão “que sempre soubéramos (ou acreditávamos saber) mas desconhecíamos que [eles o disseram] primeiro (ou de algum modo se liga a [eles] de maneira particular).” (MAGNANI, 1995, p. 12).