Paradigma - Kuhn



Kuhn :Na escolha de um paradigma - como nas revoluções políticas - não existe critério superior ao consentimento da comunidade relevante. Para descobrir como as revoluções científicas são produzidas, teremos, portanto, que examinar não apenas o impacto da natureza e da lógica, mas igualmente as técnicas de argumentação persuasiva que são eficazes no interior dos grupos muito especiais que constituem a comunidade dos cientistas (1978 [1962], p. 128).

 Poucos dos que não trabalham realmente com uma ciência amadurecida dão-se conta de quanto trabalho de limpeza desse tipo resta por fazer depois do estabelecimento do paradigma ou de quão fascinante é a execução desse trabalho. Esses pontos precisam ser bem compreendidos. A maioria dos cientistas, durante toda a sua carreira, ocupa-se com operações de limpeza. Elas constituem o que chamo de ciência. Examinado de perto, seja historicamente, seja no laboratório contemporâneo, esse empreendimento parece ser uma tentativa de forçar a natureza a encaixar-se dentro dos limites preestabelecidos e relativamente inflexíveis fornecidos pelo paradigma" (Kuhn, 1978, p. 44-5).



Kuhn "ciência normal" significa a pesquisa firmemente baseada em uma ou mais realizações científicas passadas [paradigmas]. Essas realizações são reconhecidas durante algum tempo por alguma comunidade científica específica como proporcionando os fundamentos para a sua prática posterior" (1978 [1962], p. 29).

“uma nova teoria não precisa entrar necessariamente em conflito com qualquer de suas predecessoras. Pode tratar exclusivamente de fenômenos antes desconhecidos...” (Kuhn, 2006, p. 129).

“ela não é e não pode ser determinada simplesmente pelos procedimentos de avaliação característicos da ciência normal, pois esses dependem parcialmente de um paradigma determinado e esse paradigma, por sua vez, está em questão”. (Kuhn, 2006, p. 127)

“paradigmas são as realizações cientificas universalmente reconhecidas que, durante algum tempo, fornece problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência” (Kuhn, 1991, p.13).

“o desenvolvimentoda da maioria das ciências têm-se caracterizado pela contínua  competição  entre diversas concepções de natureza distintas”. (Kuhn, 1991, p.22).


“a transição sucessiva de um paradigma a outro, por meio de uma revolução, é o padrão usual de desenvolvimento da ciência amadurecida” (Kuhn, 1991, 32).

“A ciência normal, atividade na qual a maioria dos cientistas emprega inevitavelmente quase todo seu tempo, é baseada no pressuposto de que a comunidade científica sabe como é o mundo. Grande parte do sucesso do empreendimento deriva da disposição da comunidade para defender esse pressuposto – com custos consideráveis se necessário”. (Kuhn, 1991, p.24).


Kuhn (1978, p. 60), "[...] ao adquirir um paradigma, adquire igualmente um critério para a escolha de problemas que, enquanto o paradigma for aceito, poderemos considerar como dotados de uma solução possível".


“Paradigma é o que os membros de uma comunidade cientifica compartilham e, reciprocamente, uma comunidade cientifica consiste em homens que compartilham um paradigma.” (Kuhn, 2006, p. 30)


quando os cientistas têm de escolher entre teorias rivais, dois homens comprometidos completamente com a mesma lista de critérios para escolha podem, contudo, chegar a conclusões diferentes. Talvez interpretem a simplicidade de maneira diferente ou tenham convicções diferentes sobre o âmbito de campos em que o critério de consistência se deva aplicar. Ou talvez concordem sobre estas matérias, mas difiram quanto aos pesos relativos a ser acordados a estes ou a outros critérios, quando vários deles se desenvolvem em conjunto. No que respeita a divergências deste gênero, nenhum conjunto de critérios já proposto é útil (Kuhn, 1989, p. 388).


Embora pense que a atual filosofia da ciência não tem muita importância para o historiador da ciência, creio profundamente que a maior parte do que se escreve sobre a filosofia da ciência poderia ser melhorado se a história desempenhasse um papel mais importante na sua preparação (Kuhn, 1989, p. 39).



O programa forte e seus descendentes têm sido reiteradamente rejeitados como expressões descontroladas de hostilidade à autoridade em geral e à da ciência em particular. Por muitos anos, eu mesmo reagi, de alguma forma, desse modo. Mas eu agora penso que essa avaliação fácil ignora um desafio filosófico real. Existe uma linha contínua (ou um declive escorregadio) indo das observações iniciais inevitáveis que subjazem aos estudos microssociológicos até suas conclusões ainda inteiramente inaceitáveis. Muito do que não deveria ser abandonado foi aprendido no percurso dessa linha. Mas ainda não está claro como, sem abandonar essas licões, a linha pode ser desviada ou interrompida, e como suas conclusões inaceitáveis podem ser evitadas (Kuhn, 2000, p. 111).