citações sobre enunciado e gêneros do discurso



Mikhail Mikhailovich Bakhtin



Para Bakhtin, o agir humano não se dá independente da interação; nem o dizer fora do agir (Faraco, 2003:112).


Para falar, utilizamos-nos sempre dos gêneros do discurso, ou seja, todos os enunciados dispõem de uma forma padronizada e relativamente estável de estruturação de um todo. Um vasto repertório caracteriza os gêneros do discurso (orais e escritos). Na prática podemos usá-los com segurança e destreza, mas por um lado não podemos ignorar totalmente sua existência teórica. (...) Aprender a falar é aprender a estruturar enunciados, e os gêneros do discurso, por sua vez, organizam nossa fala, assim como organizam as formas gramaticais (sintáticas). (Bakhtin, 1992:301-302).



Se não existissem os gêneros do discurso e se não os dominássemos, se tivéssemos de criá-los pela primeira vez no processo de fala, se tivéssemos que construir cada um de nossos enunciados, a comunicação verbal seria quase impossível (Bakhtin, 1992:302).



Faraco (1996:122): “o caráter dialógico é o fator unificador de todas as atividades linguageiras, havendo também uma rica dialogia entre os gêneros do discurso”.


  “pois a variedade da atividade humana é inesgotável e cada esfera dessa atividade comporta um repertório de gêneros do discurso que vai diferenciando-se e ampliando-se à medida que a própria esfera se desenvolve e fica mais complexa” (Bakhtin, 1992:279).



A língua escrita corresponde ao conjunto dinâmico e complexo constituído pelos estilos da língua, cujo peso respectivo e a correlação, dentro do sistema da língua escrita, se encontram num estado de contínua mudança (Bakhtin, 1895 – 1975: 285).


Bakhtin (1992: 282):Ignorar a natureza do enunciado e as particularidades de gênero que assinalam a variedade do discurso em qualquer área do estudo lingüístico leva ao formalismo e à abstração, desvirtua a historicidade do estudo, enfraquece o vínculo existente entre a língua e a vida. A língua penetra na vida através dos enunciados concretos que a realizam, e é também através dos enunciados concretos que a vida penetra na língua. O enunciado situa-se no cruzamento excepcionalmente importante de uma problemática.



Os gêneros secundários do discurso – o romance, o teatro, o discurso científico, o discurso ideológico, etc. – aparecem em circunstâncias de uma comunicação cultural, mais complexa e relativamente mais evoluída, principalmente escrita: artística, científica, sociopolítica. (...) esses gêneros secundários absorvem e transmutam os gêneros primários (...). Os gêneros primários (conversa de salão, carta, relato cotidiano, etc), transformam-se dentro destes e adquirem uma característica particular: perdem sua relação imediata com a realidade existente e com a realidade dos enunciados alheios (Bakhtin, 1992: 281).

Rodrigues (2005:163): Essa é a natureza verbal comum dos gêneros a que o autor se refere, isto é, a relação dialética que estabelece entre os gêneros e os enunciados, ou seja, olha os gêneros a partir da sua historicidade e lhes atribui a mesma natureza dos enunciados, ao tomá-los como seus tipos históricos.