CONTEXTO HISTÓRICO-LITERÁRIO


No entender de alguns estudiosos, o Barroco tornou-se a arte da Contra-Reforma, visto as características básicas do movimento estético servirem aos desígnios doutrinários e pedagógicos da Igreja na luta anti-reformista. A Contra-Reforma teria absorvido a estética barroca, fazendo dela uma espécie de estratégia de sua ação catequizadora, de onde o caráter pragmático assumido pelas expressões da arte literária barroca, particularmente as em prosa. Por outro lado, a fusão de propósitos e tendências nem sempre coerentes explica as múltiplas facetas apresentadas pelo Barroco. Posto isso, pergunta-se; quais as características fundamentais da estética barroca? Primeiro de tudo, corresponde à tentativa de fundir, numa unidade ambiciosa de simbolizar a suma perfeição, as duas linhas de força que conduziram o pensamento europeu ao longo do século XVI: o Barroco procurou conciliar numa síntese utópica a visão do mundo medieval, de base teocêntrica, e a ideologia clássica, renascentista, pagã, terrena e antropocêntrica. No amálgama entre orientações tão opostas e à primeira vista mutuamente repulsivas, haveria inevitável troca de posições, de forma que se operaria a espiritualização da carne e a correspondente carnalização do espírito. Em resumo, era o empenho no sentido de conciliar claro e escuro, a matéria e o espírito, a luz e a sombra, visando a anular pela unificação a dualidade do ser humano, dividido ente os apelos do corpo e os da alma. 

(MOISÉS, Massaud. A Literatura Portuguesa. Pág. 72-73. Cultrix: São Paulo, 2005).

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