Interdisciplinaridade

Assim estamos: cegos de nós, cegos do mundo. Desde que nascemos, somos treinados para
não ver mais que pedacinhos. A cultura dominante, cultura do desvínculo, quebra a história
passada como quebra a realidade presente; e proíbe que o quebra-cabeças seja armado.
(GALEANO, 1990)




Ao ler este texto, muitos educadores poderão perguntar onde está a literatura, a gramática,
a produção do texto escrito, as normas. Os conteúdos tradicionais foram incorporados por
uma perspectiva maior, que é a linguagem, entendida como espaço dialógico, em que os
locutores se comunicam. (PCNEM, 1999, p. 144)



Não podemos esperar que os campos de pensamento que se iniciaram com a ciência
clássica – de cuja vigência atual ninguém duvida – proporcionem conhecimentos sobre
tudo aquilo que os homens e as mulheres do presente precisam saber, porque vivemos em
uma sociedade que está clamando pela paz, pela igualdade de direitos e oportunidades entre
o homem e a mulher, pela preservação e melhora do meio ambientem por uma vida mais
saudável, pelo desenvolvimento da afetividade e da sexualidade que permite melhorar as
relações interpessoais; uma sociedade que necessita forjar personalidades autônomas e
críticas, capazes de respeitar a opinião dos demais e de defender os seus direitos, ao mesmo
tempo. Estas questões não são contempladas na problemática da ciência clássica.
(MORENO, 1997, p. 35-36)



Tal organização curricular enseja a interdisciplinaridade, evitando-se a segmentação, uma
vez que o indivíduo atua integradamente no desempenho profissional. Assim, somente se
justifica o desenvolvimento de um dado conteúdo quando este contribui diretamente para
o desenvolvimento de uma competência profissional. 
Os conhecimentos não são mais apresentados como simples unidades isoladas de saberes,
uma vez que estes se inter-relacionam, contrastam, complementam, ampliam e influem uns
nos outros. Disciplinas são meros recortes do conhecimento, organizados de forma didática
e que apresentam aspectos comuns em termos de bases científicas, tecnológicas e
instrumentais. (BRASIL, 2002, p. 30). 


Os temas transversais abrem a possibilidade de um trabalho integrado de várias áreas. Não
é o caso de, como muitas vezes ocorre em projetos interdisciplinares, atribuir à Língua
Portuguesa o valor meramente instrumental de ler, produzir, revisar e corrigir textos,
enquanto outras áreas se ocupam do tratamento dos conteúdos. Adotar tal concepção é
postular a neutralidade da linguagem, o que é incompatível com os princípios que norteiam
estes parâmetros. Um texto produzido é sempre produzido a partir de determinado lugar,
marcado por suas condições de produção. Não há como separar o sujeito, a história e o
mundo das práticas de linguagem. Compreender um texto é buscar as marcas do
enunciador projetadas nesse texto, é reconhecer a maneira singular de como se constrói
uma representação a respeito do mundo e da história, é relacionar o texto a outros textos
que traduzem outras vozes, outros lugares.
Dada a importância da linguagem na mediação do conhecimento, é atribuição de todas as
áreas, e não só da de Língua Portuguesa, o trabalho com a escrita e a oralidade do aluno no
que for essencial ao tratamento dos conteúdos. (PCN, 1998, p. 40-41)

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