PAULO FREIRE.(Pedagogia da Autonomia)


“O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que

 podemos ou não conceder uns aos outros. (...) É nesse sentido também que a dialogicidade

 verdadeira, em que os sujeitos dialógicos aprendem e crescem na diferença, sobretudo, no 

respeito a ela, é a forma de estar sendo coerentemente exigida por seres que, inacabados, 

assumindo-se como tais, se tornam radicalmente éticos. É preciso deixar claro que a 

transgressão da eticidade jamais pode ser vista como virtude, mas como ruptura com a 

decência. O que quero dizer é o seguinte: que alguém se torne machista, racista, classista, 

sei lá o quê, mas se assuma como transgressor da natureza humana. Não me venha com 

justificativas genéticas, sociológicas ou históricas ou filosóficas para explicar a superioridade 

da branquitude sobre a negritude, dos homens sobre as mulheres, dos patrões sobre os 

empregados. Qualquer discriminação é imoral e lutar contra ela é um dever por mais que se 

reconheça a força dos condicionamentos a enfrentar." 
(Pedagogia da Autonomia, 1996).

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