Assimilação do conhecimento

Um dia mostraram aos professores um vídeo sobre dois rapazes separados um do outro por um ecrã opaco. Cada um dos rapazes tinha diante de si um conjunto de sólidos geométricos de diferentes tamanhos, formas e cores. Em frente de um dos rapazes estava um modelo fixo: defronte do outro, encontrava-se uma miscelânea de sólidos geométricos, que o segundo rapaz teria de transformar no modelo fixo seguindo as instruções do primeiro. À medida que os professores viam o filme, observavam que, embora as instruções do primeiro rapaz parecessem bem formuladas, o segundo estava cada vez mais confuso. Os professores diziam coisas como: ‘O segundo rapaz parece ser um aluno de aprendizagem lenta, Não consegue estar atento durante muito tempo, Não consegue seguir as instruções’. Neste momento, uma das investigadoras salientou: ‘Parece-me que o primeiro rapaz deu uma instrução errada pois disse, «Põe o quadrado verde», mas não existem quadrados verdes, só há quadrados laranja e as únicas cores verdes são os triângulos’. (...) Com efeito, concluíram que as instruções do primeiro rapaz se referiam a um quadrado verde quando não havia quadrados dessa sor. À medida que continuavam a observar o filme, ficaram surpreendidos ao notar que, de facto, o segundo rapaz era exímio no cumprimento das instruções, encontrando sentidos em indicações sem nexo. Foi então que um dos professores notou algo de surpreendente: ‘Aquilo que acabámos de fazer, foi dar razão ao aluno’. (Schön, 1997, p. 80-81)

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