A produção Cultural


Bueno (2005, p.77): Uma das mudanças mais significativas no tocante à produção cultural juvenil nos anos 80, em relação às décadas anteriores, foi a sua abrangência. Se nos anos 50 e 60 essa produção concentrou-se entre os jovens da classe média urbana, a partir dos anos 70 os setores operários tiveram acesso mais direto às experiências e produtos juvenis. Isso ocorreu graças à incorporação dos jovens de baixa renda ao mercado de trabalho formal, possibilitando as transformações dos padrões de consumo.


Melo e Dias (2007, p.8): O surgimento e/ou consolidação de hábitos de lazer estão diretamente relacionados aos" efeitos mentais" desencadeados pela nova organização das metrópoles. Na medida em que as taxas demográficas vão aumentando, a euforia inicial vai dando lugar à condenação desse ambiente urbanizado. As cidades passam a ser retratadas como" um pesadelo de multidões", dotadas de um" cotidiano cercado de tormentos". A vida urbana passa a ser avaliada como insalubre, infectada, comprometida pelo ar sujo e poluído. (...) Nesse contexto, vemos crescer as preocupações com os" cuidados com o corpo e com a alma", popularizava-se ainda mais o exercício físico como forma de ocupação do tempo livre. A necessidade e o desejo de" desempenar os corpos" passam a ser mais comumente notados. (...) Cresce também a valorização da idéia de natureza. O sol, o mar e a montanha passam a ser cada vez mais adorados. Esse" culto" era também perceptível no surgimento de novos modismos, como o da jardinagem como hobby, da valorização de restaurantes de comida natural/macrobiótica e da popularização de certas práticas realizadas em contato com o ambiente natural. (...) Os esportes desenvolvidos em contato com a natureza se popularizam. O surfe, que em menos de uma década se disseminou entre jovens de classe média da Zona Sul do Rio de Janeiro, é um exemplo claro.

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