A Educação e a Crise Brasileira(1956), Anísio


 A Educação e a Crise Brasileira(1956), Anísio:“Somente quando as instituições do saber estão com a sua independência salvaguardada e a livre circulação desse saber assegura a conduta deliberada e refletida dos homens e a crítica e revisão constante de suas leis e instituições, é que teremos um regime de liberdade, como a concebeu a inteligência humana naquele minuto de esplendor em que teve, na Grécia, a revelação do seu poder não só de contemplar o mundo, mas de transformá-lo...” (p.263)


“ E que as universidades não serão o que devem ser se não cultivarem a consciência da independência do saber e se não souberem que a supremacia do saber, graças a essa independência, é levar a um novo saber. E para isto precisam de viver em uma atmosfera de autonomia e estímulos vigorosos de experimentação, ensaio e renovação. Não é por simples acidente que as universidades se constituem em comunidades de mestres e discípulos, casando a experiência de uns com o ardor e a mocidade dos outros.”(p.271)



" O magistério constitui uma das profissões em que a formação nunca se encerra, devendo o professor, terminado o curso regular, continuar pela prática e tirocínio o seu desenvolvimento... Hoje, além dessa prática e dêsse tirocínio... procura-se dar ao professor estágios, cursos e seminários destinados a apressar e sistematizar as conquistas que sòmente uma muito longa prática, e aos mais capazes, poderia dar. É o chamado "training in service", educação no cargo em expansão em tôdas as profissões de natureza, simultâneamente científica e artística." (TEIXEIRA, Anísio. Curso, estágio e seminário para formação do professor. Entrevista. Jornal do Comércio. Rio de Janeiro, 20 abr. 1958).



CÓRDOVA (2000:32): “Depoimentos de pessoas como o Dr. Almir de Castro indicam ter a CAPES se transformado num núcleo de pensamento e de formulação de projetos: por ela, e em torno de Anísio, circulavam as pessoas bem informadas e ela se constituiu numa espécie de "centro de formação" de gestores da política educacional, ainda que informalmente. Nela se pensou o Conselho Federal de Educação e sua composição final, nela se pensou o projeto da Universidade de Brasília, constando, inclusive, entre suas realizações, o auxílio para a realização de um seminário destinado a discutir esse projeto. À frente de tudo, sempre, duas figuras: Anísio Teixeira, a grande figura do conceitualizador, e associado a ele a imprescindível figura de Almir de Castro, o grande executivo. A continuidade da CAPES e de seus programas nesse período se deve a essa dupla, sempre habilidosa e inspirada, que procurou, conforme ainda o depoimento do Dr. Almir, cultivar "boas relações" e associar-se a "bons nomes". De um lado, eram ambos baianos e se relacionavam bem com os ministros que se sucederam, em bom número também baianos. Por outra parte, sabiam se articular politicamente, mantinham-se discretos, sem dar ao órgão peso econômico orçamentário muito grande, o que, confidenciou Dr. Almir, contribuía para "não despertar a cobiça dos políticos".


“Seguiram-se anos de trabalho alegre e fecundo, centrado principalmente no planejamento do sistema educacional que se iria implantar na nova capital – Escolas-parque e Escolas-classe. Inclusive e principalmente a criação da Universidade de Brasília, cuja concepção interessou vivamente a toda a inteligência brasileira, especialmente à comunidade científica. Anísio e eu discutíamos sem parar, quase sempre concordamos, mas às vezes discordávamos. Isto foi o que ocorreu, por exemplo, quando Anísio se fixou na idéia de que a UnB só devia ter cursos de pós-graduação. Afinal, concordou comigo e com o nosso grupo acadêmico, que era indispensável um corpo estudantil de base, sobre qual os sábios se exercessem, fecundamente, cultivando os mais talentosos para que eles próprios se multiplicassem. Mas a procupação de Anísio com a pós-graduação frutificou e foi na UnB, que se institucionalizou o 4º nível, como procedimento orgânico da universidade brasileira” (RIBEIRO, Darcy. A Invenção da Universidade de Brasília 1961-1995. Cartas: falas, reflexões, memórias. Brasília: Gabinete do Senador Darcy Ribeiro, 1995, p.35,36).


 João Goulart, a UnB:"Não se tratava apenas de acrescentar uma universidade mais às que já temos... O desafio... era o de conceber e planejar uma universidade modelada em bases novas que, para tôdas as demais, constituísse um estímulo e complemento... Planejada à luz da experiência nacional e internacional. Destinada a cumprir funções específicas de assessoramento aos poderes públicos em todos os campos de saber". (PLANO ORIENTADOR DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA,1962)


"As novidades da Universidade de Brasília, de caráter estritamente organizacional e pedagógico, fizeram com que sobre ela recaíssem as iras dos reitores das universidades arcaicas, que se sentiam ameaçadas no conforto de seu poder pelos ventos da renovação que sopravam no ensino superior".(CUNHA, Luiz Antônio e GÓES, Moacyr de. O Golpe na Educação. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985, p.81.)




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