Cientistas internacionais colocam em xeque as práticas de alfabetização do Brasil

Construtivismo na berlinda

Cientistas internacionais colocam em xeque as práticas de alfabetização do Brasil

Francisco Francerle // Franciscofrancerle.rn@dabr.com.br


A teoria construtivista, que predomina na Educação brasileira, não é comprovada pelos estudos científicos feitos em diversos países ao longo dos últimos vinte anos.
As pesquisas, ao contrário, mostram que para uma alfabetização rápida e eficaz é essencial o desenvolvimento da capacidade de relacionar as letras aos sons correspondentes, o que ocorre mais facilmente quando as crianças recebem orientações claras sobre isso.

Estas são algumas das conclusões que serão apresentadas por especialistas em alfabetização em seminário internacional que se realiza dia 9, no auditório Angélica Moura, da Secretaria estadual de Educação, em Natal.

O tema é mais que oportuno num país onde metade das crianças chega ao 5º ano sem saber ler e escrever frases simples, segundo resultados da Prova Brasil. A situação é pior no Rio Grande do Norte, onde o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do 5º ano é de 3,4, bem abaixo dos 4,4 da média nacional.

"Não podemos continuar negando as evidências cientificas e acreditar que 50% das crianças brasileiras são incapazes de aprender a ler por serem pobres, que não haja nada de errado com nossos métodos", diz João Batista Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto (IAB), organizador do seminário.

"Os estudos mostram que pobreza não atrapalha alfabetização, mas estratégias equivocadas, sim. Não há razão para a escola pública não ensinar a ler aos 6 anos, como a privada. Não fazê-lo prejudica todo o desempenho escolar posterior, num mecanismo perverso de reprodução da pobreza".

Nos últimos 15 anos, governos de vários países (EUA, França, Inglaterra, Brasil e Portugal) criaram grupos de cientistas para estudar as melhores estratégias de alfabetização.

Professor da Universidade Livre da Bélgica e palestrante do seminário, José Morais integrou três desses grupos, inclusive do brasileiro.

Ele é categórico em afirmar que toda a pesquisa e experiência prática internacional mostram que compreender a relação entre fonema (som) e grafema (letra) é o primeiro passo para a alfabetização e indicam que essa aprendizagem depende de orientações e exercícios explícitos.
A outra palestrante, Tatiana Pollo, pesquisadora brasileira com doutorado premiado na Universidade de Washington, testou as fases da alfabetização previstas pelo construtivismo e constatou que não se verificam.
Seus estudos confirmaram, entretanto, a importância dos conhecimentos implícitos, ou seja, aqueles que as crianças adquirem pelo contato com a língua escrita já antes de saberem ler: "O contato com textos facilita a alfabetização, embora não substitua as orientações sobre os sons das letras", diz Pollo.
Por isso, os especialistas su-gerem que se promova, desde a pré-escola, a leitura em voz alta para as crianças e a exposição visual delas a textos, além de exercícios lúdicos com rimas e divisão de palavras, para desenvolver a consciência dos sons da língua.
Na fase de alfabetização, a recomendação é intercalar exercícios de leitura e decodificação de textos simples com leitura em voz alta e contato visual com textos mais complexos.

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