Língua escrita e falada (Iran Ferreira de Melo)(Marcuschi)


É comum escutarmos hoje, nos cursos de formação de professores de língua materna, que nossos antigos mestres ficaram, por muito tempo, presos ao ensino metalinguístico do português. Porém, há duas décadas e meia, a reflexão linguística como forma de interação social está sendo usada nas escolas para substituir aquele tipo de ensino, tendo como propósito fazer com que os alunos se apropriem não só das estruturas gramaticais, mas também percebam e entendam a vastidão de gêneros textuais que os circundam e saibam usá-los competentemente. (Iran Ferreira de Melo)

"O trabalho com a oralidade pode, ainda, ressaltar a contribuição da fala na formação cultural e na preservação de tradições não escritas que persistem mesmo em culturas em que a escrita já entrou de forma decisiva. Veja-se o caso tão ilustrativo dos contos populares ainda tão vivos em nosso povo não só no interior, mas também em áreas urbanas. Dedicar-se ao estudo da fala é também uma oportunidade singular para esclarecer aspectos relativos ao preconceito e à discriminação linguística, bem como suas formas de disseminação. Além disso, é uma atividade relevante para analisar em que sentido a língua é um mecanismo de controle social e reprodução de esquemas de dominação e poder implícitos em usos linguísticos na vida diária, tendo em vista suas íntimas, complexas e comprovadas relações com as estruturas sociais." (Marcuschi)

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