inclusão e consumo

A nossa classe C aufere em média a renda média da sociedade, é a classe média no sentido estatístico. Dada desigualdade, a renda média é alta em relação a nossa mediana. Em relação ao resto do mundo: 80% das pessoas no mundo vivem em países com níveis de renda per capita menores que o brasileiro. Agora para aqueles que acham a renda da classe C seja baixa, acordem, pois ela é a imagem mais próxima da sociedade brasileira. A elite que se julga classe média procure as palavras Made in USA atrás de seu espelho. (Neri, 2008, p. 48)


Esta remodelação implica na mudança da própria representação de uma classe que consome pouco ou nada para um classe que se sacrifica e se endivida para consumir novas necessidades socialmente construídas. (Torquato, 2009, p. 88).


Sahlins (2007, p. 109),mobilizando uma divisão internacional do trabalho, o mercado disponibiliza uma fama estonteante de produtos: todas essas Coisas Boas ao alcance do homem – mas que nunca lhe são todas acessíveis. Pior: nesse jogo do livre-arbítrio do consumidor, cada aquisição é, simultaneamente, uma privação, pois toda compra de algo corresponde à renúncia de outra coisa qualquer – em geral pouco menos desejável, e, em alguns aspectos, mais desejável – que se 
poderia adquirir no lugar da primeira.


No modelo de explicação sobre o que seria um ambiente marcado pela "carência material", faz-se uma associação automática entre "necessidades básicas", "privações", "escassez" e "luta pela sobrevivência". Se a característica primordial do consumo é a escolha, para que pesquisar classes menos favorecidas economicamente, se seu consumo não teria esse ato, sendo guiado pela lógica da carência material? (Barros, 2007, f. 32).


 que se chama conforto constitui inegavelmente uma das grandes figuras do bem-estar moderno. Não sendo minha intenção fazer-lhe uma análise detalhada, me limitarei a destacar algumas das metamorfoses significativas dessa cultura material na era do hiperconsumo. (Lipovetsky, 2007, p. 217).


Vitrine do progresso técnico e da racionalização do cotidiano, instrumento de uma vida melhor, o conforto tornou-se a figura central da felicidade-repouso, dos gozos fáceis possibilitados pelo universo técnico-mercantil. (Lipovetsky, 2007, p. 219).


onforto ao quadrado, o conforto no conforto, que já não se define exclusivamente por critérios objetivos de economia de tempo e de esforço, mas por qualidades percebidas, hedonistas, estéticas e sensitivas. (Lipovetsky, 2007, p. 224).


[...] usar um celular, especialmente os mais "modernos", implica em uma lógica de pertencimento, de sair da invisibilidade social a que estariam relegados sendo unicamente "pobres". Ser "consumidor" – e nesse contexto, ser consumidor de um determinado celular – significa superar a condição de pobreza. (Barros, 2009, p. 15-16).

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