A formação da literatura Brasileira

Não se pode deixar de considerar que uma vez cumprida a missão que lhes competia os autores brasileiros deveriam ter abandonado os parâmetros adotados para a realização da tarefa. Assim, o que se verifica é que a permanência de tal tarefa não teria sido tão marcante e tão insidiosa se a crítica e a história literária não se tivessem aliado a este projeto e a aferrada luta pela sua concretização. (ROUANET, 1991)


"literatura empenhada" (CANDIDO, 1981)


Para melhor compreenderem a nação e os cidadãos – nas suas origens, no seu devir colonial e, finalmente, soberano –, nossos pensadores avançam os olhos por todo o mapa do país, tomam emprestado lunetas para melhor alcançar outras épocas e outras civilizações, com o intento de chamar a atenção para as grandes conquistas que foram feitas desde sempre, pelo mais anônimo dos índios e dos escravos, passando pelos lavradores, faiscadores, trabalhadores, funcionários públicos, profissionais liberais, latifundiários, capitães de indústria, etc., tornando o país uma das nações mais adiantadas da América Latina, mas também querem acercar-se das causas das injustiças sociais, combatê-las pelas armas da palavra, saber o por quê de tanta miséria e sofrimento por parte de um povo, no entanto, trabalhador e sempre disposto a buscar a prosperidade e o progresso moral seja dos seus, seja da nação (SANTIAGO, 2002: p.XLVIII).

"a idéia de que a literatura brasileira deve ser interessada foi expressa por toda a nossa crítica tradicional, desde Ferdinand Denis e Almeida Garret, a partir dos quais tomou-se a brasilidade, isto é, a presença de elementos descritivos locais, como traço diferencial e critério de valor" (CANDIDO, p.28).

Podemos não gostar, mas os índios brasileiros não venceram o conquistador, e sim foram vencidos, e a cultura que se instalou no Brasil foi a ibérica, européia.

Antonio Candido, Textos de intervenção, 2002, p.94.


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