CIDADÃO, COMUNICAÇÃO E GLOBALIZAÇÃO - CANCLINI, 1999



“Para muito homens e mulheres, sobretudo jovens, as perguntas próprias a cidadãos, sobre como obtermos informação e quem representa nossos interesses, são respondidas antes pelo consumo privado de bens e meios de comunicação do que pelas regras abstratas da democracia ou pela participação em organizações políticas desacreditadas.” (CANCLINI, 1999, p.14)


“Entender as transições das identidades ‘clássicas’ (nações, classes, etnias) que já não nos restringem como antes às novas estruturas globais, que consideram de outro modo nossos interesses e desejos, é pensar a recomposição das relações sociais e as insatisfações do fim do século.” (CANCLINI, 1999, p.15)


“Há mais de meio século os intercâmbios culturais entre os Estados Unidos e a América Latina ocorrem mais nas indústrias de comunicação do que na literatura, nas artes visuais ou na cultura tradicional. [...] [É] sobretudo na competência e nas alianças entre empresas de comunicação (de televisão, informática e mesmo editorial) que se está gestando a inter e multiculturalidade.” (CANCLINI, 1999, p.20)


“A lógica que rege a apropriação dos bens enquanto objetos de distinção não é a da satisfação de necessidades, mas sim a da escassez desses bens e da impossibilidade de que outros os possuam.” (CANCLINI, 1999, p.80)


“Junto com a degradação da política e a descrença em suas instituições, outros modos de participação se fortalecem. Homens e mulheres percebem que muitas das perguntas próprias dos cidadãos – a que lugar pertenço e que direitos isso me dá, como posso me informar, quem representa meus interesses – recebem sua resposta mais através do consumo privado de bens e dos meios de comunicação de massa do que nas regras abstratas da democracia ou pela participação coletiva em espaços públicos.” (CANCLINI, 1999, p.37)


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