(DUPUY, 1996, pp.22-23)

"A ciência é a única atividade humana em que a palavra "modelo" tem o sentido inverso do que lhe dá a língua corrente. É modelo o que se imita, ou o que merece ser imitado. Ele tem com a realidade o mesmo tipo de relação que um "modelo reduzido" mantém com o objeto de que ele é a reprodução mais facilmente manipulável. A inversão de sentido é impressionante e merece ser pensada. (...) Que a ciência como atividade consista essencialmente em construir objetos sob a forma de modelos é, em compensação, uma verdade incontestável, embora muito pouco conhecida pelos não-cientistas. Que é um modelo? (...) O modelo é como uma forma abstrata que vem encarnar-se ou realizar-se nos fenômenos. (...) O modelo é a classe de equivalência correspondente.(...) O modelo abstrai da realidade fenomenal o sistema das relações funcionais consideradas por ele as únicas pertinentes, pondo, por assim dizer, entre parênteses tudo o que não depende desse sistema e, em particular, como vimos, o número, a identidade e a natureza dos elementos que estão em relação (...) Vemos, também, que o modelo, por constituição, é suscetível de realizações materiais múltiplas." (DUPUY, 1996, pp.22-23)




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