Alfredo bosi: Formação da cultura Brasileira



  1. a da conquista da terra e exploração da força-de-trabalho (para indicar esta dimensão econômico político escolhi o verbo latino colo, no presente do indicativo: ocupo, cultivo, domino);
  2. o da memória dos colonizadores e dos colonizados, responsável por grande parte das suas expressões afetivas e simbólicas (indiquei pelo particípio passado cultus esta dimensão religiosa e, em senso lato tradicional);
  3. o dos projetos, em geral leigos, que visam à construção de um futuro moderno e de uma identidade nacional. Dei aqui à palavra cultura, tirada do particípio futuro, esta dimensão intelectual e técnica que tende a autonomizar-se  a partir das luzes. (Bosi, 2006, p. 389)

[...] adotam-se técnicas de análise formal ou imanente, mas abandona-se o pressuposto da normatividade na medida em que não se concede mais foro especial a qualquer formação histórica determinada. (E , se algum privilégio se concede, será ao dos modos absolutamente contemporâneos de expressão. A tendência a sincronizar tudo deságua em tudo submeter ao foco subjetivo do intérprete imerso na sua temporalidade.Na década de 70 (muitos acentuam 68 como data da viragem), o mero inventário das estruturas lingüísticas começa a ser considerado insuficiente. O estruturalismo já não satisfaz à dinâmica real que, em última instância, também permeia os estudos universitários. Toda cultura superior acaba procurando avidamente significados e valores no seu trabalho, e é precisamente nessa busca que as tendências formalistas começam a alterar-se, cindindo-se: em um movimento para dentro, de enrijecimento extremo e epigônico; e em uma superação que desemboca na negação da negação: a análise formal é então relacionada com o sentido da expressão e da comunicação, sentido interpretável ora em termos psicanalíticos ora em termos histórico-sociais. Nesse momento, os estudos literários e lingüísticos, que, em 60, espelhavam a visão tecnicista dominante, passaram a secundar uma cultura de resistência, a qual coincide, no Brasil, com os anos de abertura política nos meados dos anos 70.  (Bosi, 2006, p.312).



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