Econômia, Política, Marxismo, Socialismo






O documento base não fazia uma profissão de fé ideológica, marxista. Usava o marxismo mas não tinha aquela coisa que veio depois, quando você tinha que afirmar que era marxista, como um primeiro passo, depois ter que provar que era marxista e depois que só nós éramos marxistas (SOUZA, 1991, p. 35).

“O PC esforçava-se sempre por se auto-afirmar como PC. Mas isso afastava a massa, que estava impregnada de pregação anticomunista. Nós dizíamos o que o PC queria dizer, mas sem usar nenhum slogan” (SOUZA, 1976, p. 75).

(...), tínhamos mais flexibilidade diante da realidade social. Essa flexibilidade, esse sentido de iniciativa, essa abertura e sensibilidade para o movimento real, e mais esse problema de linguagem vão-nos diferenciar” (SOUZA, 1976, p. 76).


 “A nossa proposta podia ser utópica, inviável ou ingênua, mas era sem dúvida a mais bonita, empolgante e radical. Tanto que ganhamos o movimento estudantil” (GONTIJO, 1989, p. 61).



(...) Para nós da AP era muito difícil entender, na conjuntura tumultuada do momento, na ação e nas novas chances que se abriam para fazer política, que você devia parar para fazer uma análise e ter um entendimento mais profundo do que era aquilo tudo. Isso só vai ser possível com o movimento reflexivo posterior (SOUZA, 1976, p. 76).


“Fomos tragados por uma dinâmica que nos levava na direção de um partido de massas. Não fosse o golpe de 1964, talvez esse tivesse sido o destino da Ação Popular, com seus quadros, seus militantes e uma força de sustentação popular” (SOUZA, 1996b, p. 27).



Nós viemos de uma tradição cristã. Então tinha que haver uma fase de transição, com certa solução de compromisso se estabelecendo. Negar hoje o valor disso dizendo simplesmente que até então éramos um grupo pequeno-burguês cristão e que depois viramos marxistas, por volta de 1967, é pura idiotice. É não entender que nós éramos uma resultante de um processo com profundas raízes sociais encontradas no Brasil. (...) Ao chegarmos a adotar o maoísmo como uma religião em 1968-1969, tínhamos uma base pra isso. Por que fomos nós e não os outros grupos? Nós saímos da Ação Católica e outros não. Depois de Cristo, deu-se o vazio, mas o maoísmo chegou e o camarada Mao pegou de novo a bandeira (SOUZA, 1976, p. 72).

O maoísmo caiu melhor na minha estrutura de inspiração cristã. Um católico praticante fervoroso pode virar um maoísta numa questão de segundos, porque você tem Deus, que é o Mao, tem o camarada que é o chefe, você tem a revolução que é inexorável. (...). Tem a Bíblia vermelha, que é pequenininha e fácil de ler (SOUZA, 1996a, p. 83).

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