Capitalismo, democracia, política (SOUZA, 1991, p. 40).

Começa uma fase terrível e eu, dada a minha vocação cristã de sofrer no martírio, vou assumir tudo isso, aceito agora em nome do proletariado. Dizem-me que sou pequeno-burguês, que nunca deixei de ser. Então, porque sou pequeno burguês, tenho que passar por um processo de proletarização, o que significa purgar todas as vestes de pequeno burguês e tornar-me um operário (SOUZA, 1976, p. 82).


“A pequena burguesa passa pelo purgatório, muitos caem no inferno e muitos são aí destruídos” (SOUZA, 1976, p. 87).


“Chega então toda essa loucura que engoli, que aceitei, chegando a pensar que nessa época eu fiquei meio louco. (...) Fiquei louco com os loucos” (SOUZA, 1976, p. 83).


As análises deixavam de ser políticas. Elas só serviam para classificar as pessoas à direita ou à esquerda. Citar Lênin, por exemplo, não servia para discutir a realidade brasileira, mas para detectar um desvio. A literatura marxista se tornou uma reserva teórica da nova Inquisição (SOUZA, 1996b, p. 46).




A transformação mais importante que ocorre para mim no Chile é que depois de ser no Brasil José, Pedro, Joaquim, Gilson, uma série de pessoas nessa vida clandestina, eu tenho que no Chile voltar a ser eu e, para trabalhar e sobreviver, tenho que voltar a ser sociólogo. Era como se, em princípios de 72, tivesse que retomar o que eu tinha sido em 62, 10 anos atrás. E fazer exatamente o contrário do que tinha feito até então. (...) Eu tenho uma história, eu sou um profissional, sou um sociólogo (SOUZA, 1976, p.96- 97).


No que diz respeito ao meu engajamento na esquerda, evoluí de uma visão estreita e autoritária em seus métodos, muito dogmática, em direção a uma outra visão da política, afastando-me da esquerda clássica. A questão da democracia se tornou, cada vez mais, a preocupação central. Matizei e tornei relativo o papel dos partidos. Reforcei a importância da ética como fator de construção da política. (...) Estou convencido de que descentralização e democracia devem andar juntas. Tudo o que vai no sentido da centralização é autoritário (SOUZA, 1996b, p. 122).

“absolutamente incompatível com o capitalismo. Uma sociedade democrática deve necessariamente superar o capitalismo e inventar novas relações no plano econômico, político e social” (SOUZA, 1991, p. 40).


Um partido de quadros para mim é um negócio perigoso. Não me inspira confiança. Por outro lado, eu acho que ele é o fenômeno mais importante que aconteceu no Brasil nas últimas décadas. Eu torço para que o PT dê certo. Dada a minha história, eu não tenho condições de entrar e lutar para que ele dê certo. Eu diria, como aquelas pessoas que já sofreram uma desilusão, “eu não agüento a segunda” (SOUZA, 1991, p. 40).


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