A “sociedade arcaica”

A “sociedade arcaica” seria caracterizada por relações
de tipo essencialmente familiar e pessoal, por instituições
tradicionais (o compadrio, certas formas de trabalho
coletivo, de dominação personalista e de clientela
política, etc.), por uma estratificação social rígida
de status adscritos (isto é, em que a posição do indivíduo
na escala social está determinada desde o nascimento,
com poucas possibilidades de mudança durante
a vida), e por normas e valores que exaltam, ou,
quando menos, aceitam, o status quo, os estilos de
vida herdados dos antepassados, e que constituem obstáculo
ao pensamento econômico “racional”.
A sociedade “moderna”, pelo contrário, consistiria em
relações sociais do tipo que os sociólogos chamam de
“secundárias”, determinadas pelas ações interpessoais
destinadas a fins racionais e utilitários; de instituições
funcionais, de estratificação social pouco rígida (isto é,
com mobilidade social) em que abundam os status adquiridos
por meio do esforço pessoal e determinados,
seja por índices quantitativos (como o são o nível de
renda ou o grau educacional), seja por funções sociais
(como a ocupação). Na “sociedade moderna”, as normas
e os valores das pessoas tendem a orientar-se para
a mudança, o progresso, as inovações e a racionalidade
econômica (a saber, o cálculo de maiores lucros com
menores custos) (Stavenhagen, 1969, p. 122).

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